Com bel-grado,ansiamos o desconhecido
Que preza coxas,virilhas e algo mais...
Mostrando cadência,postura heróica
E linguagem helénica ainda mostrais.
Minha desnorteada boca,seca e sem brandura,
Onde mil líbidos brotam e sem rei perdura.
Boca,cuja finalidade é atacar:
Desde o inútil assexuado ao tosco que carnes não sabe considerar.
Anseio-vos,rasgo-vos,com vil e assaz delicadeza
E prefiro ainda que no Acto me chameis "Alteza"!
O desconhecido excita,
O desconhecido eroticamente sabido...
Entra em mim e sai,gozando
Da quente textura do vazio esculpido.
Palavra de ordem-MAIS!
Querido...não temais:
Mulher sou e feita de carnes tais.
quarta-feira, 10 de março de 2010
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Diálogo: Freud & Menina
(Menina inconvencional entra num palco vazio, onde se encontra Freud, sentado, pernas cruzadas, papel e caneta na mão, pronto para a sessão)
Freud: Como se sente, Menina?
Menina: Acho que banal...
Freud: Banal? Não é a Menina aquela que todos apelidam de Louca?
Menina: Sou louca!
Freud: Está louca ao dizer que está louca, só pode ser!
Menina: Não,não pode! Sou literalmente louca!
Freud(impaciente): Insiste nessa ideia porquê?
Menina(também impaciente): Porque estou, de facto, louca!Sem juízo!
Freud: Veremos...(hesita) Qual considera o seu maior problema?
Menina: Complexos.
Freud: Isso totalmente humano é!
Menina(aterrorizada): Também possuo medo da imperfeição! Ela é tão feia! (esconde a cara)
Freud(aproximando-se e exortando): É feia de meter medo ao susto! (voltando a sentar-se) Diga-me...com a sua amiga Consciência, costuma dialogar?
Menina(com ar de enfado): Sim! E Muito! Não me larga!
Freud(curioso,ar perverso): E com o seu amigo intímo e inconsciente, o Id?
Menina(expressão de felicidade): Esse é de loucos!(diminui o tom de voz) Ao que parece só alguns o desejam como amigo...Há quem diga, os mais peneirentos, que nem sequer existe tal nos próprios...talvez seja vergonha (ar de lamento).Há quem diga que é o papão do juízo,e que não tem cabimento,(sorriso de conforto)por isso é o meu melhor amigo, em vez dos diamantes.
Freud(com ar de satisfação): Ele é muito humano,não é? ...Como a Menina!
(As duas personagens dão gargalhadas)
Menina: Exactamente! Precisamente!(diz ela com postura de satisfação)
Freud: Então e o Superego,como é que anda esse anjinho?
Menina(sacode o braço em sinal de desagrado):Esse é uma espiga,é amigo íntimo dos meus arquinimigos, os Padrões,essas coisas que não deixam o homem nem a mulher ver com olhos mas com vaidade.Não deixa ninguém fazer nada (cruza os braços).
Freud: Mas se a menina não o tivesse na Lista de Contactos seria uma psicopata,sabia? (pergunta inclinando-se para a frente)
Menina(expressão de tédio): Ya,Freud, sabia...
Freud: Ainda bem !(recuando)E sabia também que o Superego é também humano,não sabia?(inclina-se de novo)
Menina(voz grave,olhos semicerrados) Ya,Freud,ya...
Freud(expressando curiosidade): Diga-me o que a sua mente a manda fazer agora, precisamente?
Menina(levanta-se e põe-se de pé em cima da cadeira,eufórica): Apetece-me saltar e abanar a cabeça como se a pudesse desenroscar do corpo, trepar paredes, carpir, rir, gritar, mandar todos para o inferno, ser mais,ser menos! Fazer a maior festa sem festa da vida!...
Freud(atento): E seria capaz de realizar tudo isso?
Menina(subitamente): Agora!
Freud: Calma, isso é o seu amigo Id a influenciá-la para essas aventuras!(risos de Freud)
Menina(desce da cadeira,ar melancólico): Mas o vazio é grande...penoso...preto...nem sabe o que quer...
Freud(surpreso):Ah...Eis o seu amigo Ego/Consciência!
Menina(encolhida sobre si): Tenho vergonha,medo,a mancha preta é enorme! Os complexos,a raiva,o cansaço,o pesar de ficar só,a tela que fica para sempre branca,a não aceitação da humanidade,a ignorância,o exagerado optimismo/pessimismo...esses são os grandes matadores...Esses sim,tudo rasgam cá dentro,mas o Superego,o grande comparça dos mesmos...encobre-os...cobarde...
Freud(colocando os antebraços sobre os joelhos,direcionado-se à Menina): Já sei qual o seu problema!Não é nada de grave...(Menina petrificada,atenta)Não se assuste...o seu problema...é ser...humana.
Freud: Como se sente, Menina?
Menina: Acho que banal...
Freud: Banal? Não é a Menina aquela que todos apelidam de Louca?
Menina: Sou louca!
Freud: Está louca ao dizer que está louca, só pode ser!
Menina: Não,não pode! Sou literalmente louca!
Freud(impaciente): Insiste nessa ideia porquê?
Menina(também impaciente): Porque estou, de facto, louca!Sem juízo!
Freud: Veremos...(hesita) Qual considera o seu maior problema?
Menina: Complexos.
Freud: Isso totalmente humano é!
Menina(aterrorizada): Também possuo medo da imperfeição! Ela é tão feia! (esconde a cara)
Freud(aproximando-se e exortando): É feia de meter medo ao susto! (voltando a sentar-se) Diga-me...com a sua amiga Consciência, costuma dialogar?
Menina(com ar de enfado): Sim! E Muito! Não me larga!
Freud(curioso,ar perverso): E com o seu amigo intímo e inconsciente, o Id?
Menina(expressão de felicidade): Esse é de loucos!(diminui o tom de voz) Ao que parece só alguns o desejam como amigo...Há quem diga, os mais peneirentos, que nem sequer existe tal nos próprios...talvez seja vergonha (ar de lamento).Há quem diga que é o papão do juízo,e que não tem cabimento,(sorriso de conforto)por isso é o meu melhor amigo, em vez dos diamantes.
Freud(com ar de satisfação): Ele é muito humano,não é? ...Como a Menina!
(As duas personagens dão gargalhadas)
Menina: Exactamente! Precisamente!(diz ela com postura de satisfação)
Freud: Então e o Superego,como é que anda esse anjinho?
Menina(sacode o braço em sinal de desagrado):Esse é uma espiga,é amigo íntimo dos meus arquinimigos, os Padrões,essas coisas que não deixam o homem nem a mulher ver com olhos mas com vaidade.Não deixa ninguém fazer nada (cruza os braços).
Freud: Mas se a menina não o tivesse na Lista de Contactos seria uma psicopata,sabia? (pergunta inclinando-se para a frente)
Menina(expressão de tédio): Ya,Freud, sabia...
Freud: Ainda bem !(recuando)E sabia também que o Superego é também humano,não sabia?(inclina-se de novo)
Menina(voz grave,olhos semicerrados) Ya,Freud,ya...
Freud(expressando curiosidade): Diga-me o que a sua mente a manda fazer agora, precisamente?
Menina(levanta-se e põe-se de pé em cima da cadeira,eufórica): Apetece-me saltar e abanar a cabeça como se a pudesse desenroscar do corpo, trepar paredes, carpir, rir, gritar, mandar todos para o inferno, ser mais,ser menos! Fazer a maior festa sem festa da vida!...
Freud(atento): E seria capaz de realizar tudo isso?
Menina(subitamente): Agora!
Freud: Calma, isso é o seu amigo Id a influenciá-la para essas aventuras!(risos de Freud)
Menina(desce da cadeira,ar melancólico): Mas o vazio é grande...penoso...preto...nem sabe o que quer...
Freud(surpreso):Ah...Eis o seu amigo Ego/Consciência!
Menina(encolhida sobre si): Tenho vergonha,medo,a mancha preta é enorme! Os complexos,a raiva,o cansaço,o pesar de ficar só,a tela que fica para sempre branca,a não aceitação da humanidade,a ignorância,o exagerado optimismo/pessimismo...esses são os grandes matadores...Esses sim,tudo rasgam cá dentro,mas o Superego,o grande comparça dos mesmos...encobre-os...cobarde...
Freud(colocando os antebraços sobre os joelhos,direcionado-se à Menina): Já sei qual o seu problema!Não é nada de grave...(Menina petrificada,atenta)Não se assuste...o seu problema...é ser...humana.
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
Morte & Alguns Prazeres Mais...
Morte,e alguns prazeres mais
Dilatados no coração da Infanta,
Que bradam a viuvez do Duque de Sabóia
Fecundam a desgraça paternal e fraternal.
Morte,a hércules da catástrofe...
A calamidade espreitava debaixo,
Do negro pano...
Dilatados no coração da Infanta,
Que bradam a viuvez do Duque de Sabóia
Fecundam a desgraça paternal e fraternal.
Morte,a hércules da catástrofe...
A calamidade espreitava debaixo,
Do negro pano...
Vã Sedução Germinou da Pena de Almeida
Vã sedução germinou da pena de Almeida
Invocando o grande pai do teatro lusitano.
Nas cortes de Júpiter o agouro assobia no vento,
Na paz eterna do jazigo palpa-se a sorte fria;
Algo belo clementemente dorme
Neste descanso todo o reposteiro esconde-a para si.
Beatriz!
A corte dos não-vivos aclama-te!
Menina e Moça te garantiram a doença.
Bernardim,a carne da evasão,
Deixou-te a aristocrata por quem padeces
Lamenta-te nos Montes Cárpatos
A mando de quem te invocou.
Nós loucos entre as chagas,fugimos do fulgor
E do furor dúbio.
Eu pinto de cor de ouro nossas asas aguçadas.
Toca no teu alaúda minhas espadas cravadas no peito.
Jussara Corrupto do Karmo
Invocando o grande pai do teatro lusitano.
Nas cortes de Júpiter o agouro assobia no vento,
Na paz eterna do jazigo palpa-se a sorte fria;
Algo belo clementemente dorme
Neste descanso todo o reposteiro esconde-a para si.
Beatriz!
A corte dos não-vivos aclama-te!
Menina e Moça te garantiram a doença.
Bernardim,a carne da evasão,
Deixou-te a aristocrata por quem padeces
Lamenta-te nos Montes Cárpatos
A mando de quem te invocou.
Nós loucos entre as chagas,fugimos do fulgor
E do furor dúbio.
Eu pinto de cor de ouro nossas asas aguçadas.
Toca no teu alaúda minhas espadas cravadas no peito.
Jussara Corrupto do Karmo
Ária Na Memória de Bocage
A piedade e o fingimento celebram a insónia
Na qual a memória só cabe Jónia.
Perturbadas visões do santuário do ciúme
E abençoadas pela pátria no queixume.
Sepulturas,jazigos,níveas pedras
Confronta com Camões desgostosas perdas.
E,de lá,vem o ciúme,o abrasador lume
E a Razão,já sem força,em si sucumbe.
Não desprezeis este Lusitano Casanova
Pois sua vida até no actual fausto é lamentosa.
Bocage,amaste as Vénus e as Afrodites,
E aos metais letais não me incluíste.
E em teu Fado receaste,e folgaste a Morte.
O Tempo e o Destino fizeram-te ceder à sorte.
No abominável cárcere cuidavas-te dono de virtude,
Enquanto a cegueira uma vez te ilude,
Quando no teu peito havia melancolia e teimosia.
Achaste-te no esplendor e formusura alucinado,
E viste em ti o vadio tramado!
Na qual a memória só cabe Jónia.
Perturbadas visões do santuário do ciúme
E abençoadas pela pátria no queixume.
Sepulturas,jazigos,níveas pedras
Confronta com Camões desgostosas perdas.
E,de lá,vem o ciúme,o abrasador lume
E a Razão,já sem força,em si sucumbe.
Não desprezeis este Lusitano Casanova
Pois sua vida até no actual fausto é lamentosa.
Bocage,amaste as Vénus e as Afrodites,
E aos metais letais não me incluíste.
E em teu Fado receaste,e folgaste a Morte.
O Tempo e o Destino fizeram-te ceder à sorte.
No abominável cárcere cuidavas-te dono de virtude,
Enquanto a cegueira uma vez te ilude,
Quando no teu peito havia melancolia e teimosia.
Achaste-te no esplendor e formusura alucinado,
E viste em ti o vadio tramado!
Reflexão da Loucura
"Desçamos então ,aos Infernos,como o potente Orpheu;para resgatar nossa Loucura,que puderemos nunca ver em lugar salvaguardado!"
Cristóvão Voyeur
Cristóvão Voyeur
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