sábado, 4 de julho de 2009

Apelidei-me Senhora Euphoria,Porque Ódio É Meu Vício

Apelidei-me de Senhora Euphoria
Porque ódio é meu vício
Porque as cordas do coração são de cetim
E os sonhos de caxemira.
Tonta,de pálpebras pesadas,
Vagueio na podre e acolhedora Loucura
Acompanhada de nada
Num jardim de alvorado nevoeiro
Onde o nome de Sebastião não pode ser definido.
De nada e de tudo és feito...
A alma de infante,corpo de Aquiles
O jeito dandy.
Alucinada,divago-te no meu redondo e nívio peito,
Num ávido aperto de te adorar e não te ver.
Quentes noites choro a tua saudade
Com o teu rosto pintado na minha juventude.
Sem descanso de espírito,soluço a dor,
De pedir o teu negado corpo,
A tua negada alma e negada atenção.
Lunática,anseio o pesado sono
E a noite para me guardar do tormento
Que é teu desprezo.
Eu,bela,
Eu,doente,
Sem leme nem maré
Estou,aqui,a sonhar.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Dos Mistérios Com Que Não Tenho Ocasião Para Rivalizar

Não suporto rivalizar com esse mundo teu cego,isolado e vago
Não suporto rivalizar com o escudo que te cobre os lindos lunáticos olhos
Não suportas por mim velar
Não suportas o toque meu sequer
Não suportas e não alcanças ver o que unicamente peço.
Não possuo ocasião ao fixar os lunáticos olhos em mim por um minuto.
Não possuo ocasião de trocar palavras que te atem,
Nao possuo ocasião ao petrificar os teus pés no meu solo de vendavais
Não possuo ocasião ao fazer-te dizer precisas eternas palavras.
Não consigo,e exalta-se a fúria
Porque não me destruíste no teu fogo o que basta a fim de saboreares a minha por ti fértil loucura.

Tânia Passinhas

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Primeiro Texto de Intervenção

Biscoitos Moles
Quem não se dá ao trabalho de ler um bonito poema, pensar numa teoria, apreciar um quadro, perguntar quem é, é um biscoito mole e podre feito no forno da Maria de Lurdes, nossa Ministra da Educação. É um farrapo humano, um inútil, um incompetente, um insolente e um ignorante! É um parvo, caboco e um cuecas-do-avesso! É um nazi, é o ranho dos caracóis! Não há pessoa alguma que ponha no altar de casa uma estátua de uma menina fácil e burra, e ainda não há, nem nunca houve quem queira, num quarto de motel, um homem a feder a burrice.
Quem não der razão às palavras acima é fã nº 1 de José Sócrates e é um mal-vestido! Quem não ligar às palavras acima pode deixar o cérebro e o corpo às moscas, como as fezes. E ainda hão-de ver os reitores das universidades com um tridente atrás a massacrar-vos o rabo de tanta garfada, bem como os directores de turma vos envergonham diante de toda a turma!
Quem quiser ser como a Milu e o Sócrates que seja, mas os abutres vão vos arrancar a carne!


Biscoitos Moles por Castro Peres & Marcela Afonso, representantes, poetas e presença dos abutres

sábado, 25 de abril de 2009

Sendo Eu Ávida Do Pensamento De Amor

Sendo eu ávida do pensamento de amor
De quando as duras asas da líbido esvoaçam,
De nada o corpo é feito,
De infernos a alma é atormentada!
Supremo Divino,dá-me um momento de puro fausto,
Peço-te!O "não" é a constituição das lágrimas cristalizadas,
A tua renúncia às minhas preces justa é,mas,rogo-te,deixa-me ter os lindos olhos castanhos...
Se humano,se fosses mulher,
Entenderias como é farta a longa espera da esperança,
Saberias,talvez,o que é a renúncia tormentosa,a má nova da perda,
Conhecerias vida com olhos de algo lacrimoso.
Mas,lágrimas já de mim são desconhecidas!

domingo, 5 de abril de 2009

É Um Amor De Um Ser Capaz De Possuir,Cortejar E Rondar E Carpir

Nem sentir o amar afagado posso,
Que alastra impiedosamente almas,
Embora,querido,sinta o feroz amor da possessão.
É um amor de um ser capaz de possuir,
Cortejar e rondar e carpir.
É um amor bruto que manipula os não-pensados-gestos,
Que amordaça o refém.

Mas todo o delírio se exaura
Na ilusão do casto e afagado amor
Que não verto,que não tremo.
E a ti,querido,todo o ímpeto
Não toca,(nem sente,nem vê)nem desloca do não saber
Do meu queixume e surdo delírio,querido,
É um amor de um ser capaz de possir,cortejar e rondar e carpir.

Tânia Passinhas

sábado, 4 de abril de 2009

Em Sonhos Vi A Alegria Do Desejo

Em sonhos,vi a alegria do desejo,
Sós,numa funesta casa-de-deus,
A luz quase vertia
E o ar,atmosfera e cor fria
Nada fizeram por encarcerar desejos meus.
Senti-me a cair,quando pousaste tua mão na minha,
Estremci,delirei por vãos e vagos momentos de doce prisão,
Logo que pousaste os teus lábios nos meus,
Morri de esplendor fatal.
Mas,ao fim de não dar cara à penosa saudade,
Negámo-nos,negámos o sabor da paixão,
E,abdicámos de uma só morte.

Tânia Passinhas

Pobre Devasso De Túbal

Bocage,eis o pobre devasso de Túbal,
Com punhais cravados no lânguido peito,
Eis o homem que desejou horrores,
O poeta que com ternura voraz invoca a morte.
À noite,costumava chamá-lo para o ter no seu seio;
E a sua amada,detentora do seu delírio,
Detentora do seu ciúme e contentamento;
Os ministros do Ciúme mostraram-se bons degoladores da sorte,meu bom Bocage,
Fazendo deste homem a personificação do tormento.
Ah,Manuel Maria,como carpiste,
Como desenterravas as cicatrizes debaixo da tua pele.
E te viste alucinado,errando o doce fel,
Mas...nem o cárcere te privou,
Nem a Má Fortuna de deixar deslumbrar as divindades.
Quero morrer no teu sacro fogo,
Quero jazir no teu peito!

Tânia Passinhas